No apoio à parentalidade, empresas «devem ser as primeiras». O que está a ser feito?

Num contexto de envelhecimento acelerado da população e quebra acentuada da natalidade na Europa, as empresas começam a assumir um papel mais ativo no apoio à família, à parentalidade e à fertilidade. Mas o que estão a fazer as empresas para apoiar os projetos familiares dos colaboradores?

O segundo Encontro de Conselheiros Líder do ano aconteceu ontem, na sede da Merck Portugal, em Miraflores, cujo foco foram as Iniciativas de Apoio à Família e Fertilidade nas empresas. Rita Reis, Government and Public Affairs Senior Director da Merck Portugal, e Filipa Alves, Employer Branding Manager do El Corte Inglés protagonizaram o momento moderado por Alexandre Santos, Corporate Affairs Officer, Merck Portugal.

Pedro Moura, Diretor Geral da Merck Portugal, inaugurou a sessão, referindo que a importância da família deve ser central nas empresas, não só pelo «inverno demográfico que se vive na Europa». Um colaborador traz na sua bagagem pessoal o peso da família, pelo que ignorar essa dimensão é um erro estratégico. «Mais do que falar sobre, temos de fazer acontecer. Precisamos de mais empresas, partilha e casos concretos», explicou.

De facto, de acordo com o Eurostat, a taxa de fecundidade média da União Europeia caiu para 1,38 filhos por mulher em 2023, muito abaixo do nível de reposição geracional. E dados da OCDE mostram que a idade média da primeira maternidade na Europa ultrapassa já os 30 anos. Mas, Pedro Moura acrescenta que o conhecimento deve ser a base de todas as decisões, apelando a que os jovens casais não se desleixem na espera para ter filhos por desconhecimento dos dados. «Engravidar depois dos 35 anos é muito mais complicado e arriscado», esclareceu o Diretor.

Combater o envelhecimento da população traduz-se, por fim, num flagelo para as organizações, não só pela «gradual insustentabilidade da segurança social», mas também na «redução da mão de obra e de produção de riqueza»

Benefícios flexíveis e escuta ativa são chave

Na sua intervenção, Filipa Alves explicou que a aposta do El Corte Inglés no apoio à parentalidade é o resultado de uma estratégia construída ao longo do tempo. Entre as medidas implementadas estão pausas e redução de horário para grávidas, kits de paternidade para mães e pais, apoio à adoção e até a garantia de estacionamento para colaboradoras grávidas. «Não podemos ter benefícios padronizados. Temos de tentar chegar a todos os trabalhadores e escutá-los é muito importante», garantiu.

Rita Reis destacou o papel pioneiro da Merck no apoio a colaboradores e/ou parceiros/as que enfrentam desafios de fertilidade ou acumulam responsabilidades como cuidadores informais. A empresa foi uma das primeiras a apoiar o Movimento Mais Fertilidade, alinhando-se com a sua posição enquanto líder no tratamento da infertilidade.

«Mais do que um Movimento Mais Fertilidade é um movimento mais família», afirmou, defendendo a inclusão de tratamentos de fertilidade nos seguros de saúde e um esforço conjunto com seguradoras e decisores políticos.

E Filipa garante que o impacto nos colaboradores tem sido positivo, de acordo com o feedback. Rita corrobora que também na Merck os trabalhadores têm afirmado, via inquéritos de satisfação, estar satisfeitos com todas estas medidas. Reforça a importância da confidencialidade em muitos destes processos, como por exemplo tratamentos para a infertilidade.

As duas empresas terminaram com um apelo: quanto mais empresas se juntarem ao Movimento Mais Fertilidade, maior será o apoio aos colaboradores e famílias, para que todos os projetos de parentalidade deixem de ser apenas sonhos.

Publicado na Revista Líder